Uma agenda para o trabalho da juventude

Trabalho

Governo, organizações sindicais e empresários elaboraram propostas para combater precariedade do trabalho dos jovens.

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A juventude brasileira é uma juventude trabalhadora e concilia trabalho e estudo. Mas o aumento da escolaridade não tem garantido oportunidades de trabalho de qualidade e com proteção social. O trabalho juvenil é marcado por condições mais precárias que entre os adultos, com maior índice de desemprego, menor remuneração, jornadas extensas e condições precárias de saúde e segurança.

Uma das características mais preocupantes do trabalho juvenil é o alto índice de rotatividade. “A cada 10 jovens empregados, 7 deixam seu posto de trabalho ao longo de um ano. E isso não pode ser explicado por uma opção da juventude de experimentar”, diz o sociólogo Anderson Campos, autor do livro Juventude e Ação Sindical: crítica ao trabalho indecente. “Os impactos para a sociedade dessa condição é uma juventude organizada pelo imediato, porque não pode ter plano de futuro, uma vida baseada na instabilidade”, completa.

Esse diagnóstico orientou um grupo composto por organizações sindicais, governo e empresários para a elaboração da Agenda Nacional de Trabalho Decente para a Juventude. A iniciativa foi pautada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), entre 2008 e 2010. A agenda se estrutura em quatro prioridades: mais e melhor educação; conciliação de trabalho, estudo e vida familiar; inserção ativa e digna no mundo do trabalho e diálogo social. Para cada uma das prioridades, são propostas ações a serem executadas pelo governo, empresas e sociedade civil.

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As medidas elencadas na Agenda incluem a ampliação de vagas no ensino profissionalizante, técnico e superior, acesso à tecnologia, fiscalização das condições de trabalho, combate a jornadas extensas e participação política. Mas a agenda ainda precisa ser efetivada para garantir direitos. “Não foi transformada, como era reivindicado, em um Plano Nacional do Trabalho Decente de Juventude, que era a forma de fazer com saísse do papel”, critica Campos.

Um ponto destacado pelo sociólogo é a importância de ações que alterem a estrutura do mercado e que não atuem apenas na formação e cursos para os jovens. Essas políticas se baseiam na ideia de que há um problema de empregabilidade – ou seja, que é a baixa qualificação dos trabalhadores que reduz as ofertas e a qualidade das vagas oferecidas. Porém, estudos mostram que a escolarização sozinha não garante bons empregos. Um deles é a pesquisa realizada por José Humberto da Silva, da Unicamp. Ele acompanhou jovens que participaram de um programa de qualificação profissional em Salvador. A pesquisa revelou que a grande maioria permaneceu distante do emprego sonhado, relegada a espaços ou posições precários de inserção como estágios, programas de Jovem Aprendiz, telemarketing e cooperativas (leia mais sobre a pesquisa).

» Veja a entrevista com Anderson Campos
» Conheça a Agenda Nacional de Trabalho Decente para a Juventude (PDF)

2 comentários para “Uma agenda para o trabalho da juventude”

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