Expansão do ensino integral em São Paulo é vista com ressalvas

Educação Ensino médio

A Secretaria da Educação de São Paulo anunciou uma ampliação de 40% no número de estudantes atendidos pelos programas de …

Arquivo/Agência Brasil

A Secretaria da Educação de São Paulo anunciou uma ampliação de 40% no número de estudantes atendidos pelos programas de ensino integral no estado. Atualmente, 419 mil dos 4,5 milhões de estudantes da rede estadual estão em escolas de tempo integral (sem contar o ensino técnico integrado). Em 2014, serão 596 mil em 178 escolas, segundo o governo estadual. No município de São Paulo, serão 20 escolas, das quais 15 oferecem ensino médio.

Segundo o documento de Diretrizes do Programa de Ensino Integral, o modelo “propicia aos seus alunos, além das aulas que constam no currículo escolar, oportunidades para aprender e desenvolver práticas que irão apoiá-los no planejamento e execução do seu Projeto de Vida. Não apenas o desenho curricular dessas escolas é diferenciado, mas também a sua metodologia, o modelo pedagógico e o modelo de gestão escolar”. A matriz curricular, além da base comum, inclui disciplinas eletivas, prática de ciências, preparação acadêmica e mundo do trabalho.

O projeto é recebido com ceticismo por educadores. “A gente não tem visto nenhuma proposta com flexibilidade, por exemplo: três dias por semana dentro da escola, os outros dois dias com propostas curriculares fora do espaço da escola. Ou a gente entende que as propostas de educação integral para esses meninos têm de integrar outras políticas públicas, de cultura, esporte, assistência social, ou a gente vai incorrer no equívoco de queimar a ideia da educação integral”, critica Alexandre Isaac, sociólogo do Cenpec.

Outra ressalva é quanto à capacidade de ampliação do ensino integral. “Não creio que o modelo de ensino médio integral vá mesmo ser universalizado. Isto porque a rede estadual, que é a principal ofertante de ensino médio, não possui estrutura mínima para isso. É sabido que a rede padece com uma falta crônica de professores há anos, e que funciona com um percentual altíssimo de docentes temporários, o que inviabilizaria a extensão generalizada da jornada escolar. Além disso, opera com uma parcela ainda significativa de matrículas em cursos noturnos”, comenta a professora Ana Paula Corti.

“Então parece que estamos diante de uma tendência (se ela vai se confirmar não podemos dizer, pois o jogo social é imprevisível): um modelo de ensino médio integrado em período integral, numa rede mais estruturada, altamente seletivo e reservado a uma parcela menor de jovens; e ensino médio de meio período na rede estadual, que atende a esmagadora maioria dos jovens, cujas condições de qualidade sempre foram muito precárias”, continua Ana Paula.

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