Desigualdades de raça e gênero afetam caminhos profissionais

Escolha Profissional

Escolha profissional é marcada pela diferença nas oportunidades de estudo e pela persistência de estereótipos de gênero

Foto: Carol Garcia / SECOM Foto: Carol Garcia / SECOM

O que a escolha profissional tem a ver com as desigualdades de gênero e de raça? Costumamos pensar que nossas escolhas são feitas simplesmente no âmbito individual, a partir dos talentos e competências de cada um. No entanto, mesmo com a maior escolarização da população ainda se mantêm desigualdades entre homens e mulheres, pessoas brancas e negras.

Dentro disso, dois aspectos ganham destaque: uma diferença nas oportunidades de estudo e a persistência de estereótipos de gênero, que criam uma concepção do que são as características femininas (como docilidade, gentileza, cuidado com os outros) e masculinas (como objetividade, racionalidade, habilidade para a matemática). “As mulheres, embora mais escolarizadas, frequentam cursos menos valorizados no mercado de trabalho. O desafio para as mulheres mais escolarizadas é participar de forma equitativa nas carreiras consideradas guetos ocupacionais masculinos, em que há salários mais altos, e alcançar posições de comando nos diferentes setores do mundo do trabalho”, aponta o livro Dossiê Mulheres Negras: retrato das condições de vida das mulheres negras no Brasil (leia mais).

Os dados do Censo do Ensino Superior mostram que as mulheres se concentram em cursos considerados de menor prestígio social, ou seja, com menor concorrência para o ingresso, salários e vagas no mercado de trabalho. As mulheres são maioria nas áreas de saúde e bem-estar, educação e serviços; enquanto os homens estão mais presentes nas áreas de engenharia, produção e construção, ciências, matemática e computação e agricultura e veterinária. Um estudo do IPEA analisando 48 áreas de atuação aponta que educação e formação de professores tem o 47º pior salário; já engenharia civil fica em 3º lugar no ranking.

Em relação à raça, além da menor participação no ensino superior, estudos indicam que homens negros, assim como as mulheres brancas, também se concentram nas carreiras de menor prestígio. O impacto da desigualdade de acesso é um dos fatores relacionados ao tipo de ocupação das mulheres. “As mulheres que começam a se movimentar para ocupações de nível superior são predominantemente brancas, enquanto há uma forte concentração de mulheres pretas e pardas no serviço doméstico”, aponta o texto sobre a participação de mulheres negras no mercado de trabalho, na publicação do IPEA.

(Foto: SECOM/Governo da Bahia)

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