Vídeo mostra dura rotina das trabalhadoras no comércio popular do RJ

Trabalho

Documentário realizado em 2009 dá visibilidade à violação de direitos trabalhistas e responsabilização pelos trabalhos domésticos

camtra

A Casa da Mulher Trabalhadora (Camtra), organização feminista do Rio de Janeiro, fez o lançamento na internet do vídeo “Eu sou a auto-estima”, que retrata o duro cotidiano das mulheres que trabalham no Saara, área de comércio popular do Rio de Janeiro. O documentário ouve trabalhadoras que falam sobre as longas jornadas de trabalho no comércio, os tempos de deslocamento no transporte e o acúmulo com o trabalho doméstico.

A coordenadora de projetos da Camtra, Iara Amora, conta que a organização realiza trabalhos desde 1999 no Saara. O documentário foi realizado em 2009, como forma de dar visibilidade e buscar novas estratégias para disseminar informações. “Trata-se de um trabalho de informações em direitos e também de prevenção de DST/Aids. Lá é uma área de constante violação de direitos trabalhistas. A gente tem a questão da saúde sexual e reprodutiva, principalmente a distribuição de camisinhas, que é uma ação mais concreta. Através disso, a gente vai passando informações sobre direitos”, explica.

A Camtra também realizou, no mesmo ano, uma pesquisa com as trabalhadoras. Foram ouvidas 127 mulheres sobre seu trabalho, tanto o remunerado como o trabalho doméstico, acesso à educação e tempos de lazer. Um dos dados da pesquisa mostra que 29% delas tinham formação profissionalizante no Ensino Médio. “Isso demonstra que mesmo tendo uma profissão estas mulheres não conseguiram fixar-se no mercado de trabalho nos setores de sua formação sendo, assim, absorvidas de forma precarizada e subempregadas no comércio, em sua maioria como balconistas, vendedoras e operadoras de caixa”, afirma a pesquisa.

O acúmulo de funções é outro ponto que aparece tanto no documentário como na pesquisa. Isso contribui para aumentar as horas trabalhadas. “Embora 62 % das entrevistadas tenham declarado ter carteira assinada, o número de horas gastas no trabalho produtivo demonstra que estas trabalhadoras não tem seus direitos plenamente assegurados, pois tem uma jornada de trabalho muito extensa, maior do que as 8 horas diárias, previstas em lei”.

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