Guia auxilia professores a discutir trabalho e continuidade nos estudos

Escolha Profissional

O material é resultado de um trabalho realizado desde 2007 com professores e estudantes do ensino médio, com o objetivo de ajudar as escolas a serem lugares onde jovens pensam projetos de futuro

CONVITE ELETRÕNICO TO NO RUMO

A Ação Educativa lança o Guia Tô no Rumo: Jovens e Escolha Profissional. O material é resultado de um trabalho realizado desde 2007 com professores e estudantes do ensino médio, com o objetivo de ajudar as escolas a serem lugares onde jovens pensam projetos de futuro. A tiragem é de 1000 exemplares. A distribuição do guia será gratuita, preferencialmente para professores do ensino médio. Para conseguir, o educador deve entrar em contato pelo email tonorumo@acaoeducativa.org. Além disso, a instituição pretende fazer parcerias com secretarias de Educação de fora de São Paulo, para que esse material chegue nas redes de ensino. Os Guia Tô no Rumo e os materiais de apoio também estarão disponíveis para download pela internet.

O lançamento acontece na próxima sexta-feira, dia 23, às 9h30, na sede da Ação Educativa (rua General Jardim, 660, próximo ao Metrô República). O evento contará com uma roda de conversa sobre Ensino Médio: Juventude, Educação e Trabalho, com a presença de Lucia Helena Lodi, coordenadora do Programa Vence da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo; Marcelo Morais, ex-estudante do ensino médio da rede estadual paulista e estudante de cursinho popular; Raquel Souza, assessora da área de Juventude da ONG Ação Educativa; Regina Miyeko Oshiro, professora de história da E. E. Professor Moacyr Campos; Silvio Duarte Bock, doutor em educação pela Unicamp e diretor do Nace Orientação Vocacional.

Na entrevista a seguir, a autora do Guia Tô no Rumo, Raquel Souza, fala sobre os conteúdos e o processo de elaboração dos materiais.

O que os educadores irão encontrar no Guia Tô no Rumo?

O Guia foi pensado com a finalidade de oferecer informações práticas e subsídios para professores que estão interessados em levar para a sala de aula conteúdos, informações e espaços de reflexão sobre educação, trabalho e possibilidades de continuar estudando depois do término do ensino médio. Os temas que norteiam os materiais incluem escolha profissional, mundo do trabalho, mundo das profissões, caminhos de acesso ao ensino superior e ensino técnico, gênero e escolha profissional, cotas e racismo, a situação do jovem no mundo do trabalho A gente organizou o guia primeiramente com sugestões de atividades para começar processos de diálogo. Uma série de sugestões de dinâmicas para que os jovens possam refletir e, ao mesmo tempo, para que esses encontros sejam momentos agradáveis, em que os jovens possam falar, em que se saia dessa dinâmica de giz e apagador na qual só o professor fala. Além das atividades, há um conjunto de textos de apoio, que buscam oferecer subsídio tanto para o professor pensar sobre essas questões, como para reproduzir e levar para a sala de aula. O guia também traz sugestões de outros materiais que os professores podem encontrar na internet, em filmes, textos teóricos, letras de música, que podem ajudar a elaborar outras atividades. Para finalizar, algumas atividades demandam o uso de materiais específicos, então a gente também disponibilizou modelos de materiais que os professores podem reproduzir.

Como surgiu o Tô no Rumo?

A gente realiza na Ação Educativa desde 2007 um projeto chamado Jovens Agentes pelo Direito à Educação (JADE), que aposta na capacidade dos jovens de refletirem e proporem um ensino médio mais conectado às suas demandas. A nossa pergunta inicial era que ensino médio os jovens querem. Ao longo desse projeto foi se apresentando uma demanda muito específica dos jovens, que não diz respeito a todas as demandas, de que o ensino médio ajudasse a pensar sobre seus projetos de futuro. Os jovens queriam continuar estudando, mas essas possibilidades não estavam muito claras, e ao mesmo tempo a entrada no mercado de trabalho. A escola oferece poucas informações sobre o mundo do trabalho e as chances de continuar estudando. Esse diálogo com os jovens aconteceu através de pesquisa, consulta, rodas de conversa. Frente a esse diagnóstico, a gente mobilizou professores de escola pública e estudantes para construir uma proposta de atividades. O Tô no Rumo é resultado dessa construção coletiva. Em 2009, a gente realizou um primeiro piloto e desde então ela foi sendo aperfeiçoada e incrementada.

Como vem sendo a implementação do Tô no Rumo? Quais são as experiências e os resultados?

A gente tem trabalhado com escolas parceiras, que estão com a gente desde o início do projeto. A gente dialoga com professores e constrói um programa e um cronograma para realização dessas atividades. As oficinas vêm sendo realizadas principalmente com estudantes do 3º ano do ensino médio, mas também do 2º ano. Desde o ano passado, para além da assessoria, temos realizado processos de formação com professores da região metropolitana de São Paulo, em parceria com a Universidade Federal do ABC, também com professores da Educação de Jovens e Adultos (EJA) do quarto termo do ensino fundamental. Além da formação, investimos na assessoria para que os professores realizem as atividades em suas escolas. Isso inclui oferecer os materiais usados nas oficinas, porque a gente reconhece que as escolas têm limites.

No ano passado, participaram das oficinas do Tô no Rumo 522 jovens estudantes. O retorno que a gente tem é que os estudantes gostam muito das atividades. Primeiro porque elas são muito diferentes daquilo que eles denominam como aula, porque os instigam a falar, a mover o corpo na sala de aula e abrem espaço para brincadeiras. A leitura que eles realizam tem uma finalidade, de encontrar informações que façam sentido para a vida deles. As atividades levam muitas informações que eles não possuem. A segunda coisa que os estudantes apontam é que é uma sequência de atividades que têm começo, meio e fim, têm planejamento. Por fim, as atividades respondem de fato a um anseio que eles têm.

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