Empresas apontam demanda por técnicos, mas faculdade é mais valorizada

Educação Ensino técnico

O Brasil precisa de mais técnicos. Esse discurso é comum entre políticos, entidades empresariais e na imprensa. Mas o que os jovens pensam sobre isso?

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Com informações da Agência Brasil e da BBC Brasil

O Brasil precisa de mais técnicos. Esse discurso é comum entre políticos, entidades empresariais e na imprensa. Mas o que os jovens pensam sobre isso?

Os cursos técnicos cresceram no país nos últimos anos, mas chegam a apenas 7% dos jovens entre 15 e 19 anos, segundo o diretor-geral do Senai, Rafael Lucchesi. Pelo Plano Nacional de Educação, que deverá ser cumprido nos próximos dez anos, o país terá que triplicar as matrículas da educação profissional técnica de nível médio.

Um dos principais programas do governo federal para a educação, o Pronatec, oferece cursos técnicos e cursos de qualificação, para facilitar a inserção no mercado de trabalho. Dentro do Pronatec, o Sisutec abre vagas gratuitas em cursos técnicos, em parceria com instituições privadas, para estudantes que concluíram o ensino médio. Pelas regras, 85% das vagas são destinadas a candidatos que cursaram o ensino médio em escolas públicas, ou privadas como bolsistas integrais. Na última edição, no segundo semestre de 2014, mais de 300 mil pessoas se candidataram às 289 mil vagas.

Porém a procura é menor que o ProUni, voltado para um público similar, mas com vagas no ensino superior. A edição do segundo semestre de 2014 teve cerca de 420 mil inscritos, para 115 mil bolsas integrais ou parciais. O ProUni é voltado exclusivamente para estudantes que fizeram ensino médio na rede pública ou na rede particular com bolsa.

Uma reportagem especial da BBC Brasil traça um panorama do ensino técnico no país. Apesar das promessas de bons salários, a matéria aborda o estigma em relação aos técnicos. Um leitor chegou a perguntar: “Por que só pobre faz isso?”.

“Esse ramo de ensino e carreira foi de fato visto por muito tempo como uma espécie de ‘opção menor’ de quem não podia arcar financeiramente com uma universidade, segundo o economista Marcelo Manzano, da Unicamp.

‘Historicamente, sempre foi preciso ter diploma universitário para se ter um lugar ao sol no Brasil e quem não tinha isso era considerado uma espécie de subcidadão’, diz ele. O fato de a universidade ainda garantir acesso a cela especial nas cadeias seria um exemplo dessa lógica.

Gênero

Outro preconceito que vem à nota é a ideia de que há profissões de homem e profissões de mulher. A reportagem destaca que 63% dos participantes do Pronatec são mulheres. No entanto, diversas áreas ainda são consideradas masculinas.

“Ana Aline da Silva, 25, diz que ‘não gosta de moleza’. Por isso, quando terminou o ensino médio, resolveu que, em vez de ir para a universidade, ‘muito téorica’, ia fazer um curso técnico de construção civil. Queria ser pedreira.

Mas, após fazer um curso do Senai em Santa Izabel do Pará, ela não conseguiu emprego na área. Quando procurou empresas de construção, riram dela e disseram que ser pedreiro não era coisa para mulher.

‘Disseram: lugar de mulher é na cozinha, canteiro de obras é muito pesado. Eu respondi que era capacitada e mesmo assim não me aceitaram’, contou à BBC Brasil.

Veja a reportagem completa no site da BBC.

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