Enem 2014 tem provas cansativas e temas sociais da atualidade

Educação Ensino técnico

O gabarito oficial será divulgado até quarta-feira, dia 12. O resultado individual estará disponível em janeiro

Foto: Marcello Casal / Agência Brasil Foto: Marcello Casal / Agência Brasil

Da Agência Brasil

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve 28,64% de abstenção, o que equivale a 2,4 milhões de candidatos. Mais 1.519 foram eliminados por desrespeitarem as regras do exame. Desses, 236 foram eliminados por uso indevido de celulares. O balanço foi divulgado pelo ministro da Educação, Henrique Paim. Na análise do ministro, a aplicação transcorreu com “tranquilidade, o que mostra que chegamos a um momento de consolidação desse processo”. O Enem foi aplicado neste sábado e domingo em 1,7 mil municípios.

Segundo professores e especialistas, o Enem deste ano seguiu a linha da prova do ano passado. Houve cobrança de conteúdos específicos, e não apenas interpretação de texto. Porém, houve muitas questões sobre temas sociais da atualidade. O gabarito oficial será divulgado até quarta-feira, dia 12. O resultado individual estará disponível em janeiro.

Primeiro dia
“Prova bastante social, seguindo a linha do Enem”, disse O professor Carlos Fernado Paschoal Oliveira, coordenador dos terceiros anos do Grupo Educacional Alub. Ele acrescentou que as provas “tinham muito poucas contas” e foram “muito interpretativas de conhecimentos gerais”. “O candidato tinha que saber vários aspectos, mas nada muito diferente, que não tenha sido aplicado no ano passado”.

O professor de geografia do Sistema Elite de Ensino, no Rio de Janeiro, Rafael Coelho, destacou a questão sobre a Comissão Nacional da Verdade, que basicamente ressaltava a atuação da entidade que busca resgatar a história do país no período da ditadura militar. “Acredito que o objetivo é mostrar para a sociedade que é importante compreender momentos históricos com uma nova leitura para que o futuro seja melhor e que essas situações não se repitam”, diz.

Na avaliação de Coelho, o Enem tem “elementos de conteúdo cada vez mais presentes”. O professor considera que a prova tem se tornado mais difícil, justamente por esse aspecto.

“É muito importante administrar bem o tempo. O candidato deve ficar o máximo de tempo possível. A prova é longa e exige atenção grande, especialmente quando se quer ingressar em uma carreira concorrida. A nota de corte é alta e qualquer questão se torna fundamental para alcançar o objetivo”.

Segundo dia
O segundo dia do Enem foi marcado por provas mais cansativas. Apesar de seguir o padrão de provas anteriores e abordar temas atuais com o mesmo número de questões, o teste deste ano foi considerado mais longo e exigente.

“A prova foi muito longa e a sensação era que não dava tempo para o aluno fazer todas as questões, precisava fazer escolhas”, avaliou o professor do Sistema Elite de Ensino, Rafael Coelho. Segundo ele, o exame trouxe textos de autores nacionais, o que é positivo por valorizar a língua e a cultura brasileira. Questões como a exploração sexual, o selfie e o consumo de água foram abordadas no exame. Para ele, é interessante a “busca de conscientizar os candidatos sobre problemas que o país tem”.

O professor Carlos Fernado Paschoal Oliveira concorda que a prova foi bastante cansativa. “Foi mais cansativa que as demais edições porque era mais interpretativa. O candidato tem, em média, três minutos para realizar a questão, o tempo era gasto com a leitura e a interpretação dos itens que eram muito semelhantes”, analisou o professor.

“A prova de linguagens manteve o padrão dos anos anteriores, com leitura e interpretação de textos. Tivemos questões típicas de função da linguagem e análise de elementos de coesão. Também várias questões envolvendo o conhecimento sobre cultura brasileira, linguagens regionais e afins. Boa variedade de textos literários, técnicos e bastante utilização de textos de propaganda”, analisou o professor do site Descomplica, que oferece aulas pré-vestibular e pré-Enem, Rafael Cunha.

Segundo ele, a prova de matemática também seguiu o padrão do Enem. “Não representou dificuldade maior que no ano passado, foi dentro do que se esperava para uma prova de matemática do Enem.”

Redação
Para professores, o tema da redação deste ano surpreendeu por não estar entre as principais apostas para a prova. Segundo eles, no entanto, o tema Publicidade Infantil em Questão no Brasil pode ser abordado de várias formas e, embora não cobre o domínio de atualidade tão diretamente como o tema do ano passado, que tratou da Lei Seca, o estudante que acompanhou as recentes discussões sobre liberdade de imprensa e papel da mídia no país poderá se beneficiar.

“O tema foi supreendente, mas não fora da tradição do Enem. O tema supreende e eu acho isso positivo, porque evita um mapeamento de temas por parte de professores que acabam quase montando a redação com os alunos”, diz o professor de português do Colégio Sigma, em Brasília, Eli Carlos Guimarães.  Para ele, a discussão é pertinente porque envolve a atuação do Poder Público em relação à liberdade de imprensa da TV, de modo geral, e cuidados com a educação, colocando a criança como foco de preocupação social relevante. “Imagino que os alunos vão apontar soluções no sentido de que deve haver uma legislação mais rigorosa ou mais clara, estabelecendo limites do que é aceitável e da responsabilidade dos anunciantes”, diz Guimarães.

Já a professora de português do Centro de Ensino Médio Setor Leste, em Brasília, Eliana Luíza de Azevedo, destacou a amplitude do tema, que possibilitará aos candidatos de todo o país falarem em relação ao contexto em que estão inseridos. “Os participantes poderão trabalhar a questão da publicidade infantil nas grandes cidades ou no interior, poderão mostrar como, em cada localidade, é trabalhada a publicidade infantil”, diz. “O tema tem uma abrangência imensa, que pode ser levada para o lado da violência infantil, do consumo, pode trabalhar também a vertente de direitos humanos, a questão da erotização da criança”, acrescenta.

 

 

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