Ensino de história e cultura afro-brasileira ainda enfrenta desafios

Educação Ensino superior

Implementação da Lei 10639 também é tema de seminário que será realizado no sábado, em São Paulo

Foto: Milton Michida/A2Fotografia Foto: Milton Michida/A2Fotografia

A lei que instituiu o ensino de história e cultura afro-brasileira e de relações étnico-raciais chega a quase 12 anos com alguns avanços e muitos desafios. A incorporação da temática étnico-racial nas escolas esbarra no racismo institucional como um obstáculo para a plena efetivação da lei. No sábado, dia 29, este tema será debatido em um seminário promovido pela Ação Educativa no Centro Universitário Maria Antonia USP, em São Paulo.

A Lei 10639/2003, primeira a ser sancionada pelo então presidente Lula, é resultado de décadas de lutas do movimento negro, como conta Jaqueline Lima, assessora do Programa Diversidade, Raça e Participação da Ação Educativa. “A educação sempre foi uma agenda prioritária para as organizações negras, que sempre criaram alternativas de formação. O movimento vem questionando, ao longo do século 20, o paradigma da educação”, conta Jaqueline.

Entre os avanços já produzidos pela legislação, segundo Jaqueline, estão a produção de materiais didáticos e de formação continuada de professores. “A população negra, a África, já aparecem de outra forma nos livros didáticos que estão na escola. A gente tem uma mudança de abordagem”, explica. Também há um grande número de cursos de extensão ou especialização para professores. Mas na formação inicial dos docentes, nos cursos de graduação, não há disciplinas obrigatórias sobre educação para as relações étnico-raciais.

Isso dificulta a incorporação transversal da cultura afro-brasileira e das relações étnico raciais no projeto pedagógico das escolas. “Faz 11 anos que a gente faz formação de professores. E, em muitos momentos, a gente tem que sensibilizar de novo”, aponta. “Eu vejo avanços, mas esse professor que vai para a formação muitas vezes não consegue enraizar a temática no projeto político pedagógico da escola. Ele faz uma atividade pontual, isolada, ou um projeto contínuo, mas sozinho, que não envolve a escola”, continua Jaqueline.

Para implementar a Lei 10639, foram elaboradas diretrizes que ampliam seu escopo inicial. O objetivo é mudar a forma como a África e a população negra são abordadas na educação, passando de objeto de estudo para sujeitos produtores de conhecimento. “O professor de literatura não vai tirar um dia para falar sobre os escritores negros, ele vai trabalhar os escritores negros nas diferentes escolas literárias. Enfatizar qual a posição que eles ocupavam por serem negros, como o racismo impactou a vida deles, mas também as contribuições que eles trouxeram”, afirma Jaqueline. “Muitos elementos, nossas formas de pensar, sentir, agir, nossos conhecimentos cotidianos e são contribuições do povo negro”.

Seminário “10 anos das Diretrizes Curriculares Nacionais da Lei nº 10.639/2003: balanço e novos parâmetros de exigibilidade”
Data: 29/11
Local: Centro Universitário Maria Antonia USP (Rua Maria Antonia, 258 e 294)
Horário: das 9h às 18h
Inscrições: http://bit.ly/Seminario10639

Um comentário para “Ensino de história e cultura afro-brasileira ainda enfrenta desafios”

  1. NADIR NÓBREGA OLIVEIRA

    Parabéns e sucesso! A profª Drª Lurdinha Siqueira, filha dessa boa terra e militante social é uma das pessoas que faz parte dessa História.

    Responder

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