Indicadores trazem desafios do trabalho decente para jovens

Trabalho

Desocupação é maior entre jovens, mulheres e população negra. Dados mostram a dificuldade para jovens mulheres em conciliar trabalho, estudo e vida familiar

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A Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançou um sistema de indicadores municipais sobre trabalho decente. Os dados foram retirados do Censo de 2010 e de outras fontes de informações do IBGE, de registros administrativos de diversas instituições do Sistema Estatístico Nacional, como a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), e de outras estatísticas do Ministério do Trabalho e Emprego, da Previdência Social e do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome.

Com o sistema, além de haver um olhar geral sobre as condições de trabalho no Brasil, é possível observar as especificidades de cada cidade e, a partir desse recorte, elaborar políticas públicas que respondam às necessidades locais.

» Acesse o Sistema de Indicadores Municipais de Trabalho Decente 

Um dos desafios apontados para o conjunto de municípios é a promoção do trabalho decente para a juventude. “O Trabalho Decente é um direito das jovens gerações, sendo fundamental para garantir oportunidades de ocupação de qualidade no presente, tornando também factível a construção de melhores trajetórias ocupacionais futuras”, diz o relatório da OIT.

» Conheça a Agenda do Trabalho Decente para a Juventude

O relatório ressalta que as taxas de desemprego entre jovens são significativamente mais altas que entre adultos. Na faixa dos 15 aos 24 anos, a taxa total de desocupação era de 16% em 2010, em comparação com 7,6% entre trabalhadores de 16 a 64 anos.

O sistema apontou que em 352 municípios têm índices acima de 25% para desocupação juvenil. Entre as capitais, Maceió (28,7%) e Salvador (27,9%) apresentavam os maiores níveis de desocupação. De um modo geral, incluindo jovens e adultos, a desocupação é maior entre as mulheres e a população negra. Em Salvador, por exemplo, enquanto a taxa de desocupação era de 7,1% entre os homens brancos, ela alcançava 18,0% entre as mulheres negras.

No país, 21,7% dos/das jovens de 15 a 24 anos de idade não estudava nem trabalhava, o equivalente a 1 de cada 5 pessoas nessa faixa etária. Entre as jovens (27,4%) o percentual era bem mais elevado comparativamente aos jovens do sexo masculino (16,0%). Entre as capitais, São Luís apresentava o maior percentual (26,7% no total, sendo de 21,4% entre os homens e de 31,4% entre as mulheres), e Florianópolis o menor (13,5% no total, sendo 10,1% entre os jovens e 16,9% entre as jovens).

A maternidade e a atribuição dos cuidados com as crianças para as mulheres é um fator que tem muito impacto no afastamento do trabalho remunerado e da escola. Em 2010, entre as mulheres jovens de 15 a 24 anos de idade que não estudavam nem trabalhavam, quase metade (48,3%) era de mães.

“O expressivo diferencial entre a proporção de jovens homens e mulheres que não estudam e nem trabalham – observado na esmagadora maioria dos municípios – é bastante condicionado pelas relações de gênero e pelos estereótipos que delas são elementos constitutivos, que atribuem às mulheres a responsabilidade principal pelas atividades domésticas, o que se soma à ausência e/ou insuficiência de políticas de conciliação e corresponsabilidade, no âmbito do trabalho e da família. Devido a isso, apesar de possuir maiores níveis de escolaridade, as jovens apresentam, de um modo geral, maiores taxas de desemprego e de inatividade”, afirma o texto da Organização Internacional do Trabalho.

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