Mulheres têm maior escolaridade, mas são maioria dos desempregados

Trabalho

Mulheres negras e com filhos pequenos têm mais dificuldades de conseguir ocupação

camtra

Nos últimos 30 anos, a realidade das mulheres mudou em diversos aspectos. A escolaridade aumentou – em 1996, a média de anos de estudo das mulheres ultrapassou a dos homens. O número de mulheres chefes de família é crescente e a taxa de fecundidade caiu drasticamente. Porém, as desigualdades em relação ao trabalho continuam marcantes, segundo levantamento da Fundação Seade.

O estudo “Perfil da mulher desempregada: o que mudou, o que permaneceu” compara dados da região metropolitana de São Paulo, de 1985 – ano de criação da Seade – e de 2013. Os dados mostram que mesmo com uma melhora na situação do emprego na sociedade, o desemprego das mulheres continua acima do masculino.

Nas últimas três décadas, a taxa de participação – o número de pessoas com 10 anos ou mais trabalhando ou procurando emprego – das mulheres aumentou de 44,7% para 55,1%. No mesmo período, a taxa de participação masculina diminuiu, de 77,1% para 70,6%. Isso se deve ao fato de que adolescentes e jovens estão adiando sua ida para o mercado de trabalho. Esse fenômeno aconteceu para homens e mulheres – ou seja, o crescimento da participação feminina entre mulheres adultas é maior do que os números podem dar a entender.

Porém, o crescimento da participação se deu tanto por mais mulheres trabalhando quanto por mulheres procurando emprego. O índice de desemprego entre as mulheres era de 14% no biênio 1985-86; chegou a 21,3% em 1999-2000; em 2012-13, diminuiu para 12,1%. A diferença para a taxa de desemprego masculina caiu: era 59% superior em 1985-86 e passou para 30% maior em 2012-13. Hoje, as mulheres são maioria – 52,7% – dos desempregados.

A maioria das mulheres desempregadas é jovem: 41,7% das desempregadas têm de 16 a 24 anos. O índice teve uma diminuição desde 1985, quando era de 46,4%. Além da juventude, cor/raça e situação familiar têm impacto na ocupação. O desemprego entre as mulheres negras é de 13,8%, enquanto fica em 11,2% para as não negras. Entre as mulheres cujo filho mais novo tem menos de 6 anos de idade, o desemprego é de 14,2%. Para as que têm filhos maiores de 6 anos, o índice cai para 6,8%. Isso não mudou desde 1985, quando os números eram, respectivamente, 16,2% e 7,9%.

Isso mostra o peso do trabalho doméstico na ocupação das mulheres. Quanto menores os filhos, mais as mulheres buscam ocupações que permitam conciliar o trabalho remunerado com o cuidado com a família, como jornadas menores e mais próximos da casa ou da escola dos filhos. “Tal necessidade, associada à sua qualificação ou experiência profissional, restringe ainda mais as opções da mulher em um mercado já bastante restritivo”, ressalta o estudo. Por isso, além do quadro do mercado de trabalho, as políticas públicas para promoção da igualdade devem considerar serviços públicos, como creches e escolas infantis em tempo integral.

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