Universidade do Maranhão cria primeira graduação em Estudos Afro-Brasileiros

Educação Ensino superior

Curso formará educadores e gestores com o objetivo de garantir a diversidade étnico-racial do Brasil nos currículos escolares

Cartaz da coleção Educação e Relações Raciais, da Ação Educativa Cartaz da coleção Educação e Relações Raciais, da Ação Educativa

A Universidade Federal do Maranhão (UFMA) vai oferecer, a partir deste semestre, no Campus de São Luís, o curso de graduação Licenciatura Interdisciplinar em Estudos Africanos e Afro-Brasileiros, o primeiro a ser criado no país. Já neste semestre será realizado processo seletivo especial para o preenchimento de 40 vagas no período noturno. O curso será presencial e terá duração de quatro anos.

A iniciativa de criar o curso veio do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab). A realização do projeto foi coordenada pelos professores Carlos Benedito Rodrigues da Silva, Kátia Regis e Marcelo Pagliosa, com apoio do reitor Natalino Salgado. O objetivo é formar educadores e educadoras para atuarem no ensino fundamental e no ensino médio e qualificar gestores para formularem políticas educacionais voltadas à temática.

Esses profissionais poderão contribuir para a implementação da Lei 10639, que instituiu o ensino de história e cultura afro-brasileira e de relações étnico-raciais nas escolas. “A lei oferece subsídios para o questionamento das relações étnico-raciais na sociedade brasileira, na qual a desigualdade entre negros e brancos é um elemento estrutural e estruturante da realidade social. Esta desigualdade se manifesta nas instituições educacionais por meio de seus currículos, que têm sido eurocêntricos e omitem e/ou distorcem a História e Cultura Africana e Afro-Brasileira”, afirma Kátia Regis.

A lei foi sancionada em 2003 e, mesmo com alguns avanços, ainda não é plenamente efetiva. Apesar de diversas iniciativas de formação continuada de professores em estudos afro-brasileiros, há uma deficiência na formação inicial, na graduação, desses profissionais. “Há muita resistência à inclusão desta temática nos cursos de Pedagogia e nas licenciaturas. Geralmente a discussão sobre a temática ocorre em uma ou outra disciplina de História da África e/ou Educação para a Diversidade. Apesar da importância da inclusão destas disciplinas na estrutura curricular, consideramos que não é o suficiente para alterar visões ainda estereotipadas sobre os africanos e sobre a população negra brasileira, bem como, de forma isolada e/ou pontual, não consegue eliminar atitudes preconceituosas e racistas presentes na universidade. Ou seja, há a necessidade de ações mais incisivas nas atividades de ensino, pesquisa e extensão para que a temática adquira a relevância exigida na legislação mencionada”, defende Kátia Regis.

O curso abrange áreas como História, Filosofia, Sociologia, Geografia e Fundamentos da Educação. “É importante reiterar que o curso não pretende mudar um foco etnocêntrico de raiz europeia por um africano, mas possibilitar a integração da diversidade étnico-racial do Brasil na formação inicial dos(as) docentes”, explica a professora da UFMA.

Processo seletivo
O processo seletivo para os candidatos que desejarem concorrer a uma vaga será realizado em uma única fase, por meio de uma prova objetiva contendo 40 questões. O conteúdo programático é o mesmo utilizado no Enem. Poderão candidatar-se todos que possuam certificado de conclusão de ensino médio ou equivalente, até a data de realização da matrícula.

As vagas serão distribuídas em três categorias: ampla concorrência, pessoa com deficiência e escola pública. A inscrição será efetuada somente via internet, até 16 de março de 2015, com os procedimentos seguintes: acessar o endereço eletrônico concursos.ufma.br e preencher o requerimento, depois o candidato deverá imprimir o boleto bancário e efetuar o pagamento da taxa de inscrição, no valor de R$ 50 até o dia 17 de março próximo, em qualquer estabelecimento bancário. Para mais informações confira o edital.

(Com informações da UFMA)

29 comentários para “Universidade do Maranhão cria primeira graduação em Estudos Afro-Brasileiros”

  1. Margaret Marchiori Bakos

    Este é um curso da maior importância neste país. Desejo o maior sucesso para ele.
    Atenciosamente,
    Margaret M. Bakos
    Universidade Estadual de Londrina
    Paraná (PR)

    Responder
  2. FRANCISCA DAS CHAGAS MORAES DUARTE

    Que oferta maravilhosa,precisava muito…dar para se este estender para outros estados? Eu faria.

    Responder
  3. Gilson dos Anjos

    Parabenizo a UFMA pela iniciativa ao mesmo tempo em que lamento que esta é apenas uma iniciativa em país de dimensões continentais e com tão grande dívida com a nação afrodescendente. Que o Curso se expanda ao resto do Brasil.

    Responder
  4. Adguivalda Mendes Corrêa

    Será uma grande conquista !! pois gostaria de saber porque vocês não coloca esse projeto a distância. Estou fazendo o meu TCC ( trabalho de conclusão de curso e gostaria de estar me aprimorando mais, na minha pós graduação. Meu tema será (discriminação racial em sala de aula) . Sou do Rio de Janeiro

    Responder
    • Edna Vaz de Andrade

      Oi Adguivalda!
      Finalizei em março um curso de especialização pela Universidade Federal de Ouro Preto e tive o prazer de desenvolver uma pesquisa (para elaboração do TCC) abordando a temática da lei 10639/03 no Projeto Político Pedagógico da Escola. O resultado do meu trabalho – brevemente – estará a disposição do público. É, sem dúvida, um tema muito encantador. Meu Mestrado vai de encontro a mesma temática. Desejo-lhe sorte!

      Responder
  5. helainy

    Parabéns a todas e todos por essa conquista e já estou no aguardo das próximas inscrições para poder concorrer a uma vaga.

    Responder
  6. Valdina Pinto

    Parabéns e sucesso! Que bom seria se todas as demais universidades do país seguissem esse exemplo.

    Responder
  7. Rita Brito

    Parabéns os promotores. Esse é uma demanda reprimida, ao mesmo tempo do maior significado para a nossa sociedade

    Responder
  8. Sandra

    Poderia também abrir um curso de pós com a qualidade da UFMA, para atender as pessoas que já tem graduação e que sabemos não tiveram essa ênfase em história africana. Eu gostaria muito de fazer.

    Responder
  9. Luz Teresa Ferreyra

    EXITOS!!!!! ME REGOCIJA ENORMEMENTE QUE LAS RAICES NO SE PIERDAN “AFRICA, PATRIMONIO UNIVERSAL DE LA RAZA NEGRA” MUKUIU CON NZAMBI!

    Responder
  10. Monique

    Só acho que a questão da empregabilidade será complicada para o profissional formado neste curso de graduação, pois ele não estará apto a lecionar nenhuma das disciplinas do currículo regular do ensino fundamental nem do médio, então, como ele poderá, por exemplo, prestar concursos para o magistério?

    Responder
  11. Elijane Marcia Miguel

    Parabéns, pela iniciativa…..
    Depois criem a modalidade a distância para que o Brasil todo possa participar….OK….

    Responder
  12. Mariana Bracks

    Parabéns pela iniciativa! Sou doutora em História da África e gostaria de contribuir para a excelência do curso. Poderiam me passar informações sobre o processo seletivo para professores do curso? Obrigada.

    Responder
    • Fernando Oliveira

      Doutora Mariana,

      É uma grande satisfação perceber que a implantação desse curso pela UFMA alcança, um ano depois de sua abertura, tamanho reconhecimento pela importância que se reveste em um país com grande influência da cultura afro, como o Brasil. Convém ressaltar que está aberta, até o dia 06 de maio, inscrição para professor do curso. Mais informações no link: http://portais.ufma.br/PortalUfma/paginas/noticias/noticia.jsf?id=47505

      Fernando Oliveira
      Assessor de Comunicação da UFMA

      Responder
  13. Rosa Lúcia Martins Ferreira

    Já enviei email para a UFMA para obter informações acerca do curso e até hoje não me responderam. Gostaria de saber se o reingresso é forma de acesso ao curso visto que já tenho graduação; qual o tempo do curso; grade curricular e tudo que for pertinente ao curso.

    Obrigada.

    Responder
  14. leda mariah

    Bravo! Estávamos necessitando deste espaço para melhor entendimento e pesquisa da nossa historicidade educacional´social e artística.

    Muito obrigada , sinto-me representada.

    Responder
    • marilandia frazão

      Parabéns, grande iniciativa, isso é uma política pública de ação afirmativa, tomara que outras universidades criem cursos dessa natureza.

      Responder
  15. vanda Bezerra Cavalcante

    Parabenizar pela tão necessária iniciativa!; e pedir para que pensam em curso a distância ( faço pedagogia) quero muito fazer!

    Responder
  16. Edson Paiva

    Parabenizo pela grande iniciativa, porém, tenho uma dúvida quanto a inserção do graduado no mercado de trabalho. Os concursos públicos irão contemplar enquanto disciplina? A própria lei estabelece que tal estudo deverá ser, de preferência, realizado pelas disciplinas de língua portuguesa, história, geografia e arte, entre outras. Como ficará o graduado enquanto a sua prática docente?

    Responder
  17. maria da gloria

    Da maior importância. Gostaria de compartilhar com amigos no facebook. não é possível!

    Responder
  18. Fernando Oliveira

    É uma grande satisfação perceber que a implantação desse curso pela UFMA alcança, um ano depois de sua abertura, tamanho reconhecimento pela importância que se reveste em um país com grande influência da cultura afro, como o Brasil. Convém ressaltar que está aberta, até o dia 06 de maio, inscrição para professor do curso. Mais informações no link: http://portais.ufma.br/PortalUfma/paginas/noticias/noticia.jsf?id=47505

    Fernando Oliveira
    Assessor de Comunicação da UFMA

    Responder

Deixe um comentário

  • (não será exibido)

XHTML: Você pode usar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>