Inscrições abertas para curso de produção audiovisual para mulheres

Escolha Profissional

Maneira como mulheres são retratadas em filmes e vídeos reflete desigualdade atrás das câmeras

Cena do filme Que Horas Ela Volta? Cena do filme Que Horas Ela Volta?

Na produção audiovisual, assim como em outras áreas, há uma grande desigualdade entre homens e mulheres. Essa desigualdade está no valor que as profissionais recebem, no tipo de função que exercem, nas condições de trabalho – e tudo isso se reflete na maneira como as mulheres são retratadas em filmes e vídeos. Existem diversas iniciativas para denunciar e se contrapor a essa situação, como o curso “As mina na fita: curso de produção audiovisual para mulheres”, que está com inscrições abertas em São Paulo.

O curso é gratuito e acontecerá nos dias 14 e 29 de novembro, das 10h às 19h. A partir do debate sobre a situação das mulheres no cinema, na televisão e nas plataformas digitais, as participantes irão conhecer produção de roteiro, câmera e edição – e realizarão suas próprias obras. O curso é realizado pela Sempreviva Organização Feminista e será ministrado por Yasmin Thomaz e Li Fernandes, da Produtora Maria Baderna, que participaram de projetos como o web-programa Uma pitada de feminismo, o documentário Nosso corpo nos pertence?, o filme (ainda em produção) Formigueiro – a revolução cotidiana das mulheres, entre outros. Não é preciso possuir câmera profissional ou conhecimentos prévios sobre as etapas da produção audiovisual. As vagas são limitadas. Para fazer a sua inscrição, clique aqui.

Disparidades
A desigualdade entre homens e mulheres no cinema tem sido um assunto constante em Hollywood. Uma análise dos 500 filmes de mais sucesso entre 2007 e 2012 revelou que as mulheres são 30% dos personagens com falas – dessas, cerca de um terço aparece em roupas provocativas ou parcialmente nuas. No caso do Brasil, a participação das mulheres nos filmes fica em 37,1% – percentual maior que a média mundial. No entanto, o país ganha quando o assunto é a sexualização das mulheres e também na caracterização delas como magras. Isso reflete as disparidades encontradas atrás das câmeras: nos 250 filmes mais populares de 2012, as mulheres eram apenas 9% das diretoras, 15% das roteiristas e 17% das produtoras executivas.

Nos últimos dias, a atriz Jennifer Lawrence (de Jogos Vorazes) entrou no centro do debate ao escrever um texto sobre as diferenças de remuneração entre homens e mulheres em Hollywood. Ela aponta que no filme Trapaça, enquanto ela e a atriz Amy Adams receberam 7% dos rendimentos do filme, os atores Christian Bale e Bradley Cooper receberam 9%.

Outro caso recente envolveu a diretora brasileira Anna Muylaert, do filme Que Horas Ela Volta?. Em um debate sobre a obra em Recife, os convidados Claudio Assis e Lirio Ferreira interromperam as falas delas e do público, de forma grosseira, praticamente inviabilizando o evento. A diretora comentou o episódio da seguinte forma: “Para nós mulheres, é muito mais difícil subir no palco, e pro homem é difícil descer. A gente está precisando aprender –a mulher a subir, e o homem a descer”.

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