Cresce atuação de mulheres na medicina e diferença de salários

Trabalho

Na faixa até 29 anos, as mulheres já são maioria na profissão. Porém, sua remuneração não acompanha a dos homens

Foto: Marcos Santos/USP Imagens Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Da Agência USP

Os homens ainda são a maioria exercendo a profissão de médico, no entanto, a pesquisa Demografia Médica do Brasil 2015, da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), aponta para uma tendência de “feminização” da medicina, com o aumento crescente de mulheres se formando em cursos de graduação.

“Desde 2010, no Brasil, as mulheres são maioria entre os novos registros de médicos e mesmo nos cursos de graduação de medicina, essa é uma tendência consistente. Apesar de a profissão, hoje, ser majoritariamente masculina, em médio prazo, teremos mais mulheres na medicina”, analisa Mário Scheffer, professor da FMUSP e coordenador da pesquisa.

Em 2014, os homens representavam 57,5%, dos médicos no País, e as mulheres, 42,5%, entre quase 400 mil profissionais. Contudo, entre médicos com 29 anos ou menos, ou seja, aqueles que estão se formando nos cursos de medicina, as mulheres já são maioria, com 56,2% contra 43,8% dos homens.

Entre 30 e 34 anos, são 49,9% de mulheres e 50,1% de homens. O percentual de homens é maior, passando de 55,6% no grupo com 50 a 54 anos e chegando a 77,6% entre os médicos com idade entre 65 e 69 anos.

Houve aumento da presença das mulheres na profissão, mas a remuneração das mulheres não acompanha a dos homens. Na menor faixa de salário da pesquisa, que vai até R$ 8 mil, estão 27,9% das mulheres. Nessa mesma faixa, os homens são 14,1%.

Também na segunda menor faixa, de R$ 8 mil a R$ 12 mil, as mulheres são 29,4% contra 17% dos homens. Já na faixa salarial mais alta — de R$ 24 mil ou mais — estão 20,1% dos homens e 4,4% das mulheres

“As mulheres trabalham tanto quanto aos homens em relação ao número de vínculos de trabalho e à carga horária, mas elas têm menor remuneração e estão menos presentes em diversas especialidades médicas. É preciso compreender e reverter as desigualdades de gênero que existem também na medicina”, alerta o pesquisador.

Scheffer lembra que a maior inserção das mulheres na medicina poderá ter reflexos positivos para o sistema de saúde. De acordo com a pesquisa, há mais mulheres médicas na esfera pública, 52,7%, contra 47,3% dos homens.

“As mulheres médicas estão presentes em especialidades médicas essenciais, responsáveis pelo atendimento da maior parte dos problemas de saúde da população. Num sistema de saúde como o SUS, orientado a partir da atenção primária, isso pode ser benéfico”.

Deixe um comentário

  • (não será exibido)

XHTML: Você pode usar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>