Ocupação de escolas traz questionamento sobre avaliações externas

Mobilização

Movimento contra a reorganização das escolas defende boicote ao Saresp, que acontece nos dias 24 e 25 de novembro

EE Godofredo Furtado, em Pinheiros (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil) EE Godofredo Furtado, em Pinheiros (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)

O Saresp acontece nos dias 24 e 25 de novembro nas escolas estaduais de São Paulo. A avaliação é realizada anualmente, com estudantes dos 3º, 5º, 7º e 9º anos do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio. Este ano, a expectativa para o Saresp está bem maior, devido ao movimento contra a reorganização das escolas paulistas. Existe uma campanha para que os estudantes boicotem a prova em protesto, o que tem levantado um debate sobre a validade desse tipo de avaliação externa e padronizada.

O que é?
O Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) é uma avaliação, feita pelo governo do estado, com o objetivo de fazer um diagnóstico da educação estadual. Ou seja, as provas avaliam não os estudantes individualmente, mas as escolas e a rede de escolas.

Os resultados integram o Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp). O Idesp estabelece metas tanto para a rede como para cada escola separadamente. Esse indicador é usado, por exemplo, para calcular se os professores receberão bônus por desempenho. Além disso, a nota é usada para estabelecer políticas de educação.

Boicote
O Idesp é um dos argumentos utilizados pela Secretaria da Educação para justificar a proposta de reorganização da rede de escolas. Pela proposta, a maioria das escolas passaria a funcionar em ciclo único: só os primeiros anos do ensino fundamental, só os últimos anos do ensino fundamental ou só o ensino médio. Com isso, 94 escolas devem ser fechadas e 754 terão seu funcionamento alterado.

A proposta gerou muitas reações, culminando com a ocupação de mais de uma centena de escolas na véspera do Saresp. O movimento dos estudantes também está fazendo uma campanha para o boicote à prova, criticada, entre outros pontos, por criar rankings de escolas. “Dependendo da nota que os alunos de uma escola tiverem, a escola recebe prestígio e cria competição entre professores e alunos”, critica o Coletivo Construção em uma chamada para que os alunos não façam a prova. O Coletivo lembra que os estudantes não são obrigados a fazer o Saresp.

As avaliações externas como o Saresp são questionadas por não levar em consideração as condições das escolas, por definir um padrão fechado de qualidade com base no desempenho em provas e por responsabilizar apenas os alunos e professores pelos resultados. “É de amplo conhecimento que os resultados dos exames externos aplicados aos estudantes, como o Saresp e a Prova Brasil, além de limitados a alguns componentes do currículo, são fortemente influenciados por um amplo leque de fatores. Destacam-se o nível socioeconômico das famílias e a escolaridade dos adultos, mas também a existência de condições adequadas de infraestrutura escolar, de formação e valorização dos trabalhadores da educação e, vale dizer, um clima positivo nas escolas, o que requer uma forte identidade escola-comunidade”, argumenta o professor da UFABC Salomão Ximenes.

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