Livro analisa relação de jovens com tecnologia, cultura e saída da casa dos pais

Mobilização

Jovens mulheres com mais escolaridade têm menos filhos e demoram mais a morar sozinhas

Campus Party Brasil 2013 (Foto: Gabriela Cavalheiro) Campus Party Brasil 2013 (Foto: Gabriela Cavalheiro)

Do Ipea

A relação da juventude com a tecnologia foi um dos temas debatidos no seminário Juventude Brasileira: Novos Desafios às Políticas Públicas, realizado no dia 30 de maio, na sede do Ipea, em Brasília, como parte do lançamento do livro Dimensões da Experiência Juvenil Brasileira e Novos Desafios às Políticas Públicas (clique para baixar o livro). O técnico do Ipea Cláudio Kubota, autor do capítulo sobre o uso de tecnologias da informação e comunicação (TICs) pelos jovens brasileiros, ressaltou que há sim diferentes perfis de uso por faixa etária, com prevalência dos mais jovens. Segundo ele, uma vez ultrapassada a barreira inicial de acesso à internet, tanto tradicional quanto no celular, o fator etário tem impacto mais relevante que a classe para o uso de redes sociais na internet. Além disso, a conectividade móvel às redes sociais é uma atividade muito mais relevante para os mais jovens do que para os mais velhos.

Frederico Barbosa, autor do texto “Os Jovens Brasileiros e as Suas Práticas Culturais: entre universalismo e singularidades”, ressaltou que o desafio das políticas culturais é reconhecer que as práticas dos jovens não apenas são determinadas estruturalmente. Em sua análise, o pesquisador conclui que tanto os stocks (capitais cultural, econômico e social) influenciam as práticas, quanto as disposições e os repertórios de práticas se consolidam na medida em que as experiências de acesso sejam exitosas e reforcem as disposições próprias para a realização de novas experiências.

Morar sozinho
O casamento é o fator preponderante para que jovens, entre 18 e 24 anos, saiam da casa dos pais. Durante sua apresentação, o pesquisador do Ipea Herton Ellery, que analisou dados do Censo de 1991, 2000 e 2010, destacou que, em 2010, mais de 70% dos jovens casados já haviam saído da casa dos pais, enquanto para os solteiros, esse percentual chegou a apenas 8%. “Vemos diferenças entre os sexos quando se trata de ganhar o próprio dinheiro, que aumenta muito a chance de jovens homens morarem sozinhos, mas não interfere tanto na decisão das mulheres”.

Já o fator escolaridade é um ponto decisivo para que jovens do sexo feminino optem por morar sozinhas. Herton ressaltou que quanto menos escolarizada é a mulher, mais cedo ela sai da casa dos pais. “Elas retardam a saída de casa para aumentar a escolaridade? É um ponto importante para se pesquisar”, avaliou o pesquisador.

Outro fator em que a escolaridade interfere é a decisão sobre ter ou não filhos. De cada três jovens entre 18 e 24 anos, um tinha tido filho. “Quanto maior a escolaridade da mulher, menor a probabilidade dela ter filho”, apontou. Já o número de mulheres que se declaram responsáveis pelo domicílio passou de 5,8% em 1991, para 31% em 2010. O número de empregadas domésticas caiu: de 261 mil em 1991, para 52 mil mulheres jovens em 2010.

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