Cotas, ProUni e Fies formam estudantes tão capacitados quanto seus colegas

Educação Ensino superior

Levantamento mostrou que, no caso do ProUni, desempenho dos beneficiados é 40% superior

Foto:Beatriz Ferraz/Secom UnB Foto:Beatriz Ferraz/Secom UnB

Da Agência Fapesp

A qualificação dos formandos que ingressaram no ensino superior por meio de ações de inclusão (cotas raciais e sociais, Prouni ou Fies) equivale ou até mesmo supera a de seus colegas. Esta foi a conclusão de um estudo que comparou o desempenho de mais de 1 milhão de alunos no Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), no triênio 2012-2014. A pesquisa foi realizada por Jacques Wainer, professor titular do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas, e Tatiana Melguizo, professora associada da Rossier School of Education da University of Southern California.

As ações de inclusão consideradas foram o sistema de cotas raciais ou sociais, que reserva vagas nas universidades para estudantes de escolas públicas negros, indígenas, deficientes, e de baixa renda; o Programa Universidade para Todos (Prouni), que oferece bolsas de estudo integrais e parciais em instituições privadas de educação superior a estudantes provenientes de famílias de baixa renda; e o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), que financia a graduação na educação superior de estudantes matriculados em cursos superiores não gratuitos.

“O resultado que obtivemos foi que as notas dos alunos cotistas ou que receberam financiamento do Fies não apresentavam diferenças importantes em relação às de seus colegas de classe. Quanto aos alunos que receberam bolsas do Prouni, suas notas foram bem melhores do que a de seus colegas de classe. A diferença entre as notas chegou, de fato, a quase 40%”, resumiu Wainer.

A diferenciação entre cada tipo de aluno no que concerne às ações de inclusão foi possível porque, ao fazer o Enade, o egresso da universidade deve responder a um questionário no qual informa se recebeu ou não os benefícios de cotas, Prouni e Fies. Os dados disponibilizados são obviamente anônimos. E foi com base neles que os pesquisadores puderam fazer o levantamento.

As notas foram padronizadas para possibilitar termos de comparação, de modo que a possibilidade de o exame em uma determinada área ter sido mais fácil ou mais difícil do que o exame em outra não viesse a mascarar a avaliação real da capacitação do aluno. Com isso, os pesquisadores puderam comparar alunos de todos os cursos e não de cursos separados, possibilitando um avanço em relação às pesquisas anteriores.

Outros estudos já haviam obtido resultados importantes na investigação do tema. Especialmente, entre outras, as pesquisas sobre o desempenho comparativo de cotistas e não cotistas realizadas na Universidade Federal da Bahia (UFBa) e na Universidade de Brasília (UnB). Pesquisas anteriores haviam demonstrado que os alunos cotistas se davam tão bem quanto os não cotistas, exceto nos chamados “cursos de alto prestígio” (medicina, engenharia etc.).

Uma possível explicação para esse desempenho tão diferenciado é a seleção feita pelo Prouni para a concessão de bolsa (entre outros requisitos, para inscrição no processo seletivo, o aluno deve ter obtido, no mínimo, 450 pontos no Enem, Exame Nacional do Ensino Médio) e os critérios bastante exigentes para a sua manutenção (entre outros requisitos, para manter a bolsa, o aluno dever ser aprovado em pelo menos 75% das disciplinas oferecidas no semestre).

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