Como é ser uma (um) jovem LGBTQIA no Brasil?

Mobilização

Encontro organizado por jovens do projeto Juventudes nas Cidades pautou a construção histórica dos corpos LGBTQIA, negros, periféricos e marginalizados.

Foto: Tô no Rumo Foto: Tô no Rumo

No país que mais mata pessoas trans no mundo,  e que produz uma vítima de homofobia a cada 16 horas, o que significa ser LGBT?

Os dados

Segundo dados do Disque 100, canal que recebe denúncias de violação de direitos humanos em todo o Brasil,  os estados com maior número de denúncias sobre violência contra LGBTs em 2018, foram respectivamente, São Paulo (126), Rio de Janeiro (66), Minas Gerais (47), seguidos pelos estados de Goiás (32), Paraíba (30) e Bahia (29). (Dados dos outros estados podem ser consultados aqui.) 66,20% dessas violações envolveram discriminação, 48,81% violência psicológica e 30,43% violência física (outras violações).

Sobre o perfil das vítimas no primeiro semestre de 2018, 70,36% dos casos foi contra pessoas do gênero masculino, 19,54% do gênero feminino, e em cerca de 10% dos casos o gênero não foi informado. Em relação à orientação sexual das vítimas, cerca de 30% eram gays, 34,18% eram pessoas transgênero e 21% não informado.

Os dados mostram que casos de violação se concentram nas pessoas na faixa de idade dos 18 aos 35 anos. Já em relação à raça, 32% das denúncias se referiam à vítimas brancas, enquanto 40% envolveram vítimas negras (pretos e pardos). Os indígenas corresponderam a 0,49% (3) dos casos.

O que é ser LGBT para as juventudes?

Os coletivos que participam do projeto Juventudes nas Cidades – SP*, discutiram no encontro “LGBTQIA e o Direito à Cidade” quais os cenários para essa população, assim como, os espaços de potência de desconstrução de uma norma heterocisnormativa e de fortalecimento enquanto sujeitos marginalizados, invisibilizados. Para o grupo, o fato de estarem articulados seria uma forma de afrontamento à essa norma, uma forma de aquilombar-se.

O grupo reconhece que o carnaval, assim como os saraus e slams seriam um momento de acesso e ampliação da discussão sobre direitos e violações em relação a um público que estaria fora dos espaços de militância. Para as(os) jovens, esse processo de afirmação de direitos das juventudes faz parte de uma disputa de narrativas que envolve a sensibilização dessas pessoas. E, como forma de acesso à esse público, os coletivos construíram uma marchinha de carnaval. A letra relaciona a temática do direito à cidade com a pauta dos direitos das pessoas LGBTQIAs.  

Em busca de utopia/ Pra comuna LGBTQIA+

Vamos fazer revolução / Atravessar a cidade sem pagar nenhum busão

Ai, ai ai ai (2x) 

Balança a borda / O centro cai”

 

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