O que esperar da escola para 2019?

Mobilização

Ameaça do escola sem partido, denúncia de salas sendo fechadas nas escolas estaduais e aprovação da reforma da previdência dos servidores municipais. O que professoras e professores esperam da escola para esse ano?

Foto: Divulgação Minha Biblioteca.com.br Foto: Divulgação Minha Biblioteca.com.br

Ameaça do escola sem partido, denúncia de salas sendo fechadas nas escolas estaduais e aprovação da reforma da previdência dos servidores municipais. O ano de 2018 foi marcado por diversos ataques à educação em São Paulo. O fechamento de salas e de turnos escolares, e a consequente lotação de salas e desemprego das(os) professoras(es), já vinha sendo denunciado pela Apeoesp e por professoras(es) da rede desde 2016. No município, a aprovação da reforma da previdência dos servidores municipais no final do ano passado, marca mais um dos ataques aos direitos das(os) trabalhadoras(es), e da própria educação do município. Considerado como um “confisco salarial” o projeto de lei prevê aumento dos 11% atuais para 14% a contribuição das(os) servidoras(os) para a aposentadoria. O projeto previa a alíquota de 19% de contribuição, com a pressão dos servidores houve mudança no projeto para 14%.

Mas, como as(os) professoras(es) têm sentido o clima dentro da escola e o que esperam para a educação neste ano?

O Tô no Rumo conversou com algumas professoras de várias regiões de São Paulo para saber como a conjuntura política tem atingido quem está na base da educação, e como estão as expectativas para 2019, dá uma olhada!

E, como tá o chão da escola?

A professora Lilian Ferreira, que dá aula na Cidade Tiradentes, diz que esses são tempos difíceis e que o governo eleito já mostrou que a educação não seria uma prioridade, “(…) e o que sobra pra gente que vive e trabalha nas pontas, são as piores condições, os piores recursos, as piores formas e maneiras de sobreviver e levantar a escola. A escola que eu trabalho é voltada para projetos político pedagógicos, como de combate ao racismo,  e esse ano vamos implementar um projeto contra o machismo, pensando na questão do feminicídio. (…).” Para Lilian, a ameaça do Escola Sem Partido gera um ambiente de medo para as(os) professoras(es) e cerceia sua atuação na forma que gostariam, a professora completa “(…) mas enquanto ele não está aí, nós falamos o que pensamos dentro da sala de aula. Principalmente porque formamos não só para educação, mas para o mundo e para a política, e pensando na Cidade Tiradentes que é um território negro, onde a maior parte da população que é preta sofre também com o racismo.

Espero muita luta dentro e fora da realidade da escola, e formar os alunos para essa luta que está vindo pesada pra gente.Lilian Ferreira  – E.E. Jorge Luís Borges.

Para o professor da E.E. Prof. Adhemar Antônio Prado, Roberto Rodrigues, as expectativas são que a situação da educação piore em 2019 com os novos governos municipal, estadual e federal. “(…) As ações do governo federal, com o novo Ministro, demonstram que nós professores continuaremos a ser tratados como inimigos. A absurda ideia de estudo em casa, a caça ao inexistente “marxismo cultural” e outros bobagens demonstram que esses que assumiram agora nada sabem sobre os reais problemas da Educação Pública e continuarão a repetir os slogans mentirosos da eleição.(…)

O professor da E.E. Antônio Prado também pontua que no início deste ano os professores teriam sido surpreendidos pela falta de material de apoio para dar aula. Apostilas e livros didáticos não teriam sido entregues e não haveria previsão sobre quando receberão o material.Usaremos, como quase sempre na verdade, giz, lousa, fala e imaginação.” Para Roberto, a baixa remuneração por hora-aula, também seria outra forma de desestimular o trabalho dos docentes.  

Apesar do cenário desanimador, o momento é de fortalecimento das lutas pela educação, e de reformulação das nossas formas de resistência: “(…) espero que possamos aproveitar esse clima “árido” que a escola se encontra, para repensar o seu novo papel e retomar o espaço escolar como espaço do pensar. Penso que assim, poderemos em coletivo (professores, gestão, estudantes) utilizar desse momento para sermos resistência.” Conclui José Vandei, professor coordenador da E.E. Fernão Dias.

Deixe um comentário

  • (não será exibido)

XHTML: Você pode usar estas tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>