Projeto Juventudes nas Cidades (SP) lança guia de direitos

Trabalho

Projeto que reúne coletivos da cidade de São Paulo lança guia de direitos para juventudes e discute desigualdade

Lançamento do Guia Juventudes nas Cidades Lançamento do Guia Juventudes nas Cidades

Próximo ao mês no qual a cidade de São Paulo completou 465 anos, pensar como as juventudes vivem na cidade, circulam nela, e constroem seus espaços, é importante para entendermos como o direito à cidade se dá para essas(esses) jovens. Em dezembro do ano passado, o projeto Juventudes nas Cidades – São Paulo, fruto de uma parceria entre a Ação Educativa, o Instituto Pólis e a Oxfam Brasil, lançou guia de mesmo nome. O material reúne uma série de direitos relacionados ao meio ambiente, moradia, mobilidade, educação, trabalho, renda, sexualidade e cultura. Além de discutir como as desigualdades de renda, raça, classe, sexualidade e etc., refletem na vivência dessas(es) jovens pela cidade.

Acesse e baixe o guia aqui! 

“Não podemos ignorar que o nosso país atravessa uma grave crise econômica e política, em que vários dos nossos direitos estão ameaçados. Por isso, além de saber sobre o que existe na cidade, para buscarmos oportunidades e melhores condições de vida, precisamos nos informar sobre como lutar por um mundo melhor, mais justo e equitativo para todas as pessoas.” – Guia Juventude nas Cidades.

O guia também leva em consideração a discussão sobre o direito à cidade, como “As recentes políticas de austeridade econômica, como corte de gastos públicos e redução ou finalização de políticas de inclusão social (…)”, impactam na efetivação desses direitos. À nível municipal, a burocratização e corte no uso do passe-livre escolar (diminuição de viagens) desde o início do ano passado, e o aumento das passagens de R$4,00 para R$4,30 no começo desse ano também podem ser vistos como medidas que afetam negativamente os direitos das juventudes, sobretudo das que vivem nas periferias.

O projeto Juventudes nas Cidades

O Juventudes nas Cidades, que dá nome ao guia, acontece em São Paulo, Recife, Rio de Janeiro e Distrito Federal, reunindo coletivos que se propõem a refletir e produzir juntas(os)  enfrentamentos e afetividades, cada um a partir de suas particularidades. Além de questionar como e por quem as políticas da cidade são formuladas, e como os movimentos sociais e culturais podem influenciar nas políticas de construção da cidade. Para Gabriel Di Pierro da Ação Educativa, o Juventudes nas Cidades é “Um projeto que reúne coletivos juvenis, para se promover e articular, a partir do direito à cidade e da geração de renda.” 

Uma dessas coletivas é a Loka da Efavirenz que vê o direito à cidade a partir do acesso aos espaços que ela possui, o que segundo Carlos Eduardo Rodrigues, integrante da coletiva, delimita sua própria atuação enquanto coletivo “Afinal, para que as nossas ações não fiquem somente no nível teórico e para que possamos atingir outras pessoas e também para que sejamos influenciados por elas, é necessário ocupar espaços dentro da metrópole.”

Para Thaís Oliveira, integrante dos coletivos Periferia Preta e do coletive Zooom, a negação do direito à cidade também está relacionada a uma impossibilidade da apropriação de quem mora nas “periferias” do resto da cidade, e afirma que uma das questões pontuadas pelo coletivo é exatamente a de inversão da lógica de que o centro da cidade é onde tudo acontece.

“(…) direito à cidade, é justamente romper com o pensamento de que onde estamos é só dormitório, quando para nós os territórios periféricos onde estamos é na verdade o centro, os territórios de potência, de criação e movimentação. Direito à cidade é isso, trocar essa lógica de que o centro de São Paulo é onde pulsam as ações, e que onde estamos é lugar onde não acontece nada.”

O modo como os equipamentos culturais são distribuídos pelas regiões da cidade é bem representativo do cenário desigual que ela apresenta. De acordo com levantamento dos espaços culturais públicos, privados e independentes realizado pela Empresa de Turismo e Eventos da cidade de São Paulo, a SPTuris, a zona central possui 24 centros culturais, a zona oeste 26, enquanto a zona sul tem apenas 7 centros culturais. Cássia Caneco do Instituto Pólis que é uma das organizações parceiras do projeto, questiona o número reduzido ou a ausência de espaços como casas de cultura e teatros. “E essa tem sido nossa pauta de luta, que é trazer esses espaços e reconhecer as(os) artistas que estão na periferia, para que a gente consiga se sentir representada(o) naquelas(es) que estão juntas(os) com a gente na luta.”

mapa de equipamentos culturais de spFonte: SPturis

 

Já Thaís Oliveira pontua que além de haverem poucos equipamentos de cultura, os que existem não são espaços acolhedores à diversidade da população:

“Não temos aparelhos culturais próximos, temos a casa de cultura e os CEUs (Centro Educacional Unificado), só que nós enquanto coletivo que discute sexualidade e gênero, nossos corpos são corpos que não são aceitos em todos os lugares, então tomamos como um ato de revolução de guerrilha, ocupar os espaços não públicos, de tornar os espaços não culturais em culturais, então a gente não utiliza esses espaços da prefeitura, do estado, por conta de que nossos corpos, e os corpos de nossas amigas, amigos, travestis, homossexuais, pretos, não são aceitos, então além de encontrarmos ter diversas catracas imaginárias até esses espaços, teve uma época que a gente cansou e decidiu criar espaços que nossos corpos e ideias fossem aceitos.”

Além de pensar o acesso à cidade como direito, o grupo de coletivos também reflete e propõe a partir de suas particularidades, as dificuldades na materialização das ações de seus projetos, assim como, pensar em formas de dar maior visibilidade para as pautas que discutem. Carlos da A Loka da Efavirenz, diz que: “A maior dificuldade encontrada pelo grupo se dá na falta de verba. Temos projetos de criação de oficinas, palestras e minicursos, porém, a falta de infraestrutura e recursos para a realização dessas atividades é um fator que nos limita. Por se tratar de um coletiva que discute HIV/AID$, a Loka de Efavirenz possui uma demanda de procura maior na primeira metade do mês de dezembro (período onde o vermelho ainda não representa o natal), enquanto que nos demais períodos a procura pela discussão diminui bastante, o que justifica a nossa maior dificuldade, isto é, a falta de visibilidade e de financiamento. Exemplo disso é que temos um projeto de curta sobre transmissão vertical que, por falta de recursos audiovisuais, jamais saiu do papel, embora tenhamos feito uma “Vakinha” online. (…) Além disso, o Juventudes nos permite estreitar relações afetivas com outras pessoas e nos fortalecer psicologicamente para que possamos lutar por nossos objetivos.

 

Quer conhecer o projeto Juventudes nas Cidades e @s coletiv@s que participam? Entre em contato pela página da Ação Educativa.

Fontes:

https://spcity.com.br/sao-paulo-tem-mais-de-100-espacos-culturais/

Entrevista da Cássia Caneco no Bom para Todos: https://www.youtube.com/watch?v=d-Esn8gvTQM

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